MANEJO ANESTÉSICO E DESFECHOS CLÍNICOS DA VALVOPLASTIA PULMONAR POR BALÃO EM CÃES COM ESTENOSE PULMONAR GRAVE: UM ESTUDO RETROSPECTIVO (2024-2025)

ANAESTHETIC MANAGEMENT AND CLINICAL OUTCOMES OF BALLOON PULMONARY VALVULOPLASTY IN DOGS WITH SEVERE PULMONIC STENOSIS: A RETROSPECTIVE STUDY (2024–2025)

Autores

  • Daniele Midori Kakimoto Higa Hospital Veterinário, UFAPE, São Paulo, SP
  • Mayara Travalini de Lima Hospital Veterinário, UFAPE, São Paulo, SP
  • Matheus Matioli Mantovani Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Uberlândia, MG
  • Adan William de Melo Navarro Hospital Veterinário, UFAPE, São Paulo, SP
  • Gabrielly Moreira dos Santos de Oliveira Hospital Veterinário, UFAPE, São Paulo, SP
  • Guilherme Teixeira Goldfeder Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP
  • Alessandro Rodrigues de Carvalho Martins Hospital Veterinário, UFAPE, São Paulo, SP
  • Denise Tabacchi Fantoni Hospital Veterinário, UFAPE, São Paulo, SP e Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP

Resumo

Objetivos: Descrever os protocolos anestésicos, complicações perioperatórias e os desfechos clínicos de cães com estenose pulmonar (EP) grave submetidos à valvoplastia pulmonar por balão (VPB).

Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo, unicêntrico, baseado na revisão de prontuários de 21 cães com EP grave (gradiente > 80 mmHg) submetidos à VPB entre 2024-2025. Foram incluídos apenas casos com registros anestésicos completos. Dados coletados: idade, peso, sexo, raça, sinais clínicos, exames pré-operatórios e registros anestésicos. Os protocolos foram individualizados conforme a avaliação cardiovascular (remodelamento cardíaco, presença de disfunção diastólica e hipertrofia concêntrica). Análise estatística: SPSS, normalidade Shapiro-Wilk, comparações t-Student pareado, p <0 ,05.

Resultados: A mediana (mínimo-máximo) de idade foi 18 (3-84) meses e o peso vivo corporal 7,75 (2,2-26,0) kg. A raça mais prevalente foi o Bulldog francês (33%). Sinais clínicos mais observados foram síncope (42,8%) e fadiga (38%). O tempo anestésico mediano foi 118 (30-318) minutos. Medicação pré-anestésica predominante foi a metadona (33%), seguida da associação dexmedetomidina-metadona (14%). O protocolo de indução predominante foi etomidato-midazolam-lidocaína (57%). A manutenção foi realizada principalmente com isoflurano-lidocaína (47%), enquanto apenas dois cães (9,5%) receberam propofol como agente principal, na modalidade de anestesia intravenosa total (TIVA). Hipotensão (PAM ≤ 65 mmHg) ocorreu em 66% dos casos, tratada com norepinefrina, vasopressina e/ou fenilefrina. Observaram-se arritmias (38,1%) pela manipulação do cateter, mas cessaram com a interrupção do estímulo. Todos os cães permaneceram internados por 24 horas e a maioria apresentou recuperação satisfatória. Quatro cães apresentaram forame oval patente, dos quais um evoluiu a óbito no pós-operatório imediato.

Conclusões: Os protocolos anestésicos baseados em etomidato e midazolam na indução e manutenção com isoflurano proporcionam estabilidade relativa. O sucesso do procedimento depende de protocolos anestésicos individualizados e monitorização intensiva para reduzir riscos perioperatórios.

Protocolo CEUA: Estudo retrospectivo.

Publicado

2025-11-09

Palavras-chave:

Cateterismo, cardiopatia congênita, cardiologia intervencionista, valvoplastia