TÉCNICA ALTERNATIVA PARA INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL EM MICOS-LEÕES-DA-CARA-DOURADA (Leontopithecus chrysomelas): UMA SÉRIE DE CASOS

ALTERNATIVE TECHNIQUE FOR OROTRACHEAL INTUBATION IN GOLDEN-HEADED LION TAMARINS (Leontopithecus chrysomelas): A CASE SERIES

Autores

  • Fabricio Braga Rassy Fundação Parque Zoológico de São Paulo, SP
  • Mario Antonio Ferraro Rego Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP
  • Andressa Fátima Kotleski Thomaz de Lima Universidade Estadual do Centro-Oeste, UNICENTRO, Guarapuava, PR
  • Luciano Cacciari Universidade Metropolitana de Santos, UNIMES, Santos, SP
  • Silvia Renata Gaido Cortopassi Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP

Resumo

Objetivos:  A intubação em micos-leões-da-cara-dourada é desafiadora e carece de materiais específicos. Este estudo descreve uma técnica com equipamentos adaptados, acessíveis e portáteis para laringoscopia e intubação, promovendo vedação adequada e minimizando o escape de anestésico. A metodologia pode ser aplicada em outros calitriquídeos e mamíferos de pequeno porte, ampliando as possibilidades anestésicas com segurança e eficácia.

Métodos: Foram utilizados doze micos-leões-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), adultos, pesando entre 545 e 762 g, clinicamente saudáveis. A anestesia foi induzida com isofluorano 1,5 Vol% via máscara facial, em oxigênio 100%, até perda dos reflexos protetores. Os animais foram posicionados em decúbito dorsal com angulação de 30° com pescoço estendido para facilitar a intubação. Um otoscópio com transiluminação foi utilizado como laringoscópio. O tubo traqueal foi adaptado com uma sonda uretral 6 Fr, cortada e moldada com calor para garantir vedação adequada sem comprometer o lúmen. Para dessensibilização da laringe, aplicou-se lidocaína spray 10% na mucosa com auxílio de swab e na extremidade do tubo. A profundidade anestésica foi avaliada por tônus mandibular. Um fio-guia metálico auxiliou na introdução da sonda, com confirmação visual das aritenoides. O tubo foi acoplado ao sistema Mapleson A com isofluorano (1,5 Vol%) e O₂ (1 L/min). A intubação foi confirmada por condensação da sonda e visualização de valores de ETCO₂, usando monitor multiparamétrico ligado ao traqueotubo por agulha 20x5,5 mm.

Resultados: A intubação foi bem-sucedida em 91,6% dos animais, embora 45,4% exigissem múltiplas tentativas (duas a quatro) devido a reflexos laríngeos. Tosses, espirros e extubações ocorreram. Em casos sem sucesso, reflexos intensos e depressão respiratória levaram à interrupção do procedimento.

Conclusões: Os materiais adaptados facilitaram a intubação em micos-leões-da-cara-dourada, suprindo a falta de dispositivos específicos. A técnica pode ser aplicada com sucesso em outros calitriquídeos, como mico-leão-preto, mico-leão-dourado, sagui-de-tufo-branco e, possivelmente, em pequenos roedores, devido às semelhanças anatômicas.

Protocolo CEUA: FMVZ-USP no 5744280116/SISBIO-IBAMA no 54541-1.

Fonte de Fomento: Fundação Parque Zoológico de São Paulo/Universidade São Paulo, FMVZ-USP.

Publicado

2025-11-09

Palavras-chave:

Calitriquídeo, intubação, vias aéreas