COMPLICAÇÕES PERIOPERATÓRIAS ASSOCIADAS À ANESTESIA SUBARACNOIDEA EM CÃES: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 62 CASOS
PERIOPERATIVE COMPLICATIONS ASSOCIATED WITH SUBARACHNOID ANESTHESIA IN DOGS: A RETROSPECTIVE ANALYSIS OF 62 CASES
Resumo
Objetivos: A raquianestesia, também chamada de anestesia subaracnoidea, é realizada mediante injeção de anestésico local diretamente no espaço subaracnoideo, ou seja, no líquido cefalorraquidiano. Semelhante a qualquer anestesia, pode resultar em consequências e efeitos adversos. Frente ao exposto, o estudo tem como objetivo avaliar a ocorrência de complicações perioperatórias associadas à raquianestesia em cães, considerando a escassez de dados na Medicina Veterinária sobre seus riscos.
Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo com análise de 62 prontuários anestésicos de cães submetidos à raquianestesia, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024. Foram analisados os pacientes que receberam anestesia subaracnoide com bupivacaína isobárica associada à morfina, utilizando agulha Quincke 22G em punções lombares (L5-L6), com os animais posicionados em decúbito lateral direito, procedimento realizado por anestesiologista com capacitação na técnica. As principais complicações registradas no período perioperatório (até 12 horas após a cirurgia) incluíram alterações cardiovasculares (bradicardia e hipotensão), retenção urinária e lesões neurológicas transitórias. Os dados foram expostos através de uma análise descritiva.
Resultados: Dos 62 cães avaliados, 26 (41,9%) eram ASA I e 36 (58,1%) ASA II, com média de idade de 5,28 ± 3,46 anos e peso de 13,72 ± 7,58 kg. As complicações incluíram hipotensão intraoperatória em 12 (19,4%), bradicardia em 3 (4,8%), retenção urinária no pós-operatório em 11 (17,7%) e lesão neurológica transitória em 2 (3,2%). As cirurgias mais associadas a complicações foram ovariohisterectomia (29,0%) e procedimentos em membros pélvicos (59,7%).
Conclusões: Apesar de sua eficácia, a raquianestesia deve ser cuidadosamente avaliada quanto à viabilidade, considerando o risco de potenciais de complicações. A realização da técnica com precisão, o monitoramento e a experiência do profissional são fatores essenciais para a redução desses riscos. O presente estudo contribui com dados relevantes sobre a segurança do método e reforça a necessidade de novos estudos prospectivos na área.
Fonte de Fomento: Universidade Metropolitana de Santos – UNIMES.