USO DA ANESTESIA REGIONAL INTRAVENOSA PARA CIRURGIAS ORTOPÉDICAS EM EQUINOS - ESTUDO RETROSPECTIVO
INTRAVENOUS REGIONAL ANAESTHESIA FOR ORTHOPAEDIC SURGERY IN HORSES – A RETROSPECTIVE STUDY
Resumo
Objetivos: Descrever o uso de anestesia regional intravenosa (ARI) com lidocaína em cavalos submetidos a cirurgias ortopédicas e avaliar a qualidade da recuperação anestésica.
Materiais e Métodos: Foram incluídos 18 equinos (6,3 ± 4 anos; 371,2 ± 120,5 kg) submetidos a cirurgias ortopédicas no Hospital Veterinário da UFPR entre 2019 e 2025. Foram registrados idade, peso, protocolo anestésico, cirurgia, intercorrências anestésicas (resgate intraoperatório, hipotensão, hipoxemia), consumo anestésico e escores de recuperação (1-5). Administrou-se resgate intraoperatório em caso de elevação ≥ 20% em pelo menos dois parâmetros (FC, f e PAMinvasiva). Foi usada estatística descritiva e os dados expressos em frequências absoluta e relativa. Utilizou-se o teste de Qui-quadrado para verificar associação entre a localização do bloqueio (membro pélvico ou torácico) e o escore de recuperação (p < 0,05).
Resultados: Foram 11/18 (61,1%) procedimentos em membros pélvicos e 7/18 (38,9%) em membros torácicos. O tempo médio de anestesia foi 91,1 ± 47,6 minutos e o tempo de garrote, 52,2 ± 8,7 minutos. A xilazina foi o fármaco mais utilizado na premedicação (17/18; 94,4%) e a associação de cetamina-EGG, na indução anestésica (13/18; 72,2%). Na manutenção foram usados isoflurano (13/18; 72,2%) ou propofol (5/18; 27,8%), infusão analgésica de dexmedetomidina (11/18; 61,1%), lidocaína-cetamina-dexmedetomidina (4/18; 22,2%) ou lidocaína-cetamina (2/18; 11,1%). Três animais (16,7%) receberam resgate intraoperatório com cetamina e cinco animais (27,8%) apresentaram hipotensão, mas apenas três (16,7%) necessitaram de dobutamina. A ETISO média foi 1,18 ± 0,09 Vol%. A dose média de lidocaína foi 1,5 ± 0,8 mg/kg. A recuperação foi “excelente” (escore 1) em 77,8% (14/18) e “muito bom” (escore 2) em 22,2% (4/18) dos casos, sem associação significativa com a localização da cirurgia.
Conclusões: De acordo com os dados apresentados, a ARI mostrou-se potencialmente segura e eficaz para cirurgias ortopédicas em equinos, não interferindo na recuperação anestésica.
Protocolo CEUA: Estudo retrospectivo.
Fonte de Fomento: Bolsa Produtividade em Pesquisa (JCD) processo CNPq 312783/2022-1.