INTERCORRÊNCIAS TRANS-ANESTÉSICAS EM RELAÇÃO A TÉCNICAS DE ANESTESIA PARA MASTECTOMIA EM CADELAS - ESTUDO RETROSPECTIVO MULTICÊNTRICO

PERIANESTHETIC COMPLICATIONS ASSOCIATED WITH ANESTHETIC TECHNIQUES FOR MASTECTOMY IN BITCHES – A MULTICENTER RETROSPECTIVE STUDY

Autores

  • Luã Borges Iepsen Universidade Federal do Paraná, UFPR, Curitiba, PR
  • Gilberto Serighelli Junior Universidade Federal do Paraná, UFPR, Curitiba, PR
  • Marcos Luiz Cliton Bezerra Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica, UTFPR, Curitiba, PR
  • Haiumy Garcia Cardozo Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Porto Alegre, RS
  • Martielo Ivan Gehrcke Universidade Federal de Pelotas, UFPel, Pelotas, RS
  • Adriano Bonfim Carregaro Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP
  • Ricardo Miyazaka de Almeida Universidade Federal de Brasília, UnB, Brasília, DF
  • Juan Carlos Duque Moreno Universidade Federal do Paraná, UFPR, Curitiba, PR

Resumo

Objetivos: Descrever as técnicas anestésicas mais utilizadas em cadelas submetidas a mastectomia e verificar sua associação com intercorrências anestésicas (IA).

Materiais e Métodos: Foram analisados 688 casos entre 2020-2025, provenientes de seis Hospitais-Escola de diferentes regiões do Brasil. Foram considerados os grupos: anestesia inalatória com infusões (PIVA), anestesia total intravenosa (TIVA) e quanto ao uso ou não de anestesia regional (PIVA-AR e TIVA-AR). As IA foram definidas como: hipotermia (T°C < 37,5°C), hipotensão (PAMoscilométrico < 60 mmHg ou PASoscilométrico < 90 mmHg), hipercapnia (ETCO2 > 45 mmHg) e bradicardia (FC < 40 bpm). Foram usados o teste de Qui-quadrado e cálculo de odds ratio (OR), considerando-se p < 0,05.

Resultados: Foram incluídos 633 casos, sendo 101 (15,96%) do grupo PIVA, 329 (51,97%) do PIVA-AR, 42 (6,63%) do TIVA e 161 (25,43%) do TIVA-AR. Independentemente do grupo, AR foi empregada em 490 casos (77,4%). Somente em 96 casos (15,2%) não foram registradas IA, sem associação à técnica. A IA mais comum foi hipotermia, ocorrendo em 76% (481/633) dos casos, sendo o grupo PIVA-AR o de maior risco (OR = 2,1) comparado com PIVA (OR = 1,0) (p = 0,0045). Hipotensão ocorreu em 29% (184/633) dos casos, mas sem associação com os grupos (p = 0,122). Hipercapnia ocorreu em 13,6% (86/633) dos casos, sendo os grupos TIVA (OR = 9,7) e TIVA-AR (OR = 5,55) de maior risco, comparados com PIVA (OR = 1,0) (p < 0,001). Bradicardia ocorreu em 7,1% (45/633) dos casos, com maior risco em PIVA (OR = 3,1) e PIVA-AR (OR = 4,5) comparados com TIVA (OR = 1) (p = 0,024).

Conclusões: A PIVA-AR foi a técnica mais empregada em mastectomias e esteve associada com hipotermia. O risco de hipoventilação foi maior com TIVA e TIVA-AR, enquanto bradicardia foi mais provável com PIVA e PIVA-AR.

Protocolo CEUA: no 051/2024 - CEUA-SCA-UFPR.

Fonte de Fomento: Bolsa Produtividade em Pesquisa (JCD) processo CNPq 312783/2022-1.

Publicado

2025-11-09

Palavras-chave:

Anestesia inalatória, bloqueios locorregionais, complicações anestésicas, PIVA, TIVA