ACESSO PELO FORAME INFRAORBITÁRIO PARA O BLOQUEIO ANESTÉSICO RETROBULBAR EM CÃES: ESTUDO EXPERIMENTAL EM CADÁVERES
INFRAORBITAL FORAMEN ACCESS FOR RETROBULBAR ANESTHETIC BLOCK IN DOGS: EXPERIMENTAL CADAVERIC STUDY
Resumo
Objetivo: Avaliar o acesso pelo forame infraorbitário como alternativa para anestesia retrobulbar, bem como a dispersão do anestésico na órbita de cadáveres caninos.
Materiais e Métodos: Foram utilizadas nove cabeças de cães de diferentes raças e portes, totalizando 18 órbitas, sendo que, na mesma peça, cada órbita participou de um grupo distinto. O volume da solução de lidocaína a 2% associada ao corante azul patente V a 2,5% (proporção 1:1) foi calculado conforme as dimensões do crânio de cada animal, obtidas com paquímetro analógico da protuberância occipital externa até o osso nasal. A infusão retrobulbar foi realizada via forame infraorbitário com volumes de 0,2 mL por cm de crânio (Grupo A) e 0,1 mL por cm de crânio (Grupo B). O cateter (Nipro 20 G) foi posicionado sentido ventro-dorsal intraforaminal e confirmado por radiografia, onde a sua extremidade encontrava-se imediatamente ventral à órbita, já a dispersão (%) do corante na órbita foi avaliada após enucleação transpalpebral e análise digital com o software ImageJ®. Os dados foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk para normalidade (p < 0,05).
Resultados: A técnica foi realizada com sucesso em todos os animais, sem deslocamento rostral ou perfuração do bulbo do olho. Observou-se impregnação pelo corante e anestésico da fáscia orbital em todas as órbitas, com maior média no Grupo A (70,7 ± 23,8%) em comparação ao Grupo B (56,3 ± 21,6%), mas sem diferença estatisticamente significativa (p = 0,2002).
Conclusões: O bloqueio retrobulbar realizado por meio do acesso pelo forame infraorbitário mostrou-se uma alternativa viável para procedimentos oftalmológicos em cães, com potencial para reduzir complicações em relação à técnica retrobulbar tradicional. Neste experimento com cadáveres não houve dificuldade na execução, bem como, perfuração do olho. Contudo, estudos clínicos adicionais são necessários para avaliar sua eficácia e possíveis complicações in vivo.
Protocolo CEUA: Processo FOA nº 851/2024.
Fonte de Fomento: CAPES, bolsa de doutorado.