ABORDAGEM ANATÔMICA DO PLEXO CELÍACO EM CÃES: VIABILIDADE DA PUNÇÃO GUIADA POR FLUOROSCOPIA
ANATOMICAL APPROACH TO THE CELIAC PLEXUS IN DOGS: FEASIBILITY OF FLUOROSCOPY-GUIDED PUNCTURE
Resumo
Objetivos: O bloqueio do plexo celíaco é uma abordagem intervencionista eficaz no controle da dor visceral, porém, pouco explorada na veterinária. Devido à necessidade de conhecimento anatômico, este estudo preliminar teve como objetivo descrever o acesso ao plexo celíaco em cães por meio de injeção percutânea guiada por fluoroscopia, em modelo cadavérico, visando fornecer subsídios para futuras validações.
Materiais e Métodos: Foram utilizados dois cadáveres de cães de porte médio, SRD e sem alterações abdominais. O sistema arterial foi preenchido com contraste radiopaco (20 mL de sulfato de bário) para identificação da artéria celíaca e da mesentérica cranial sob fluoroscopia. Com os animais em decúbito ventral, realizou-se a simulação do bloqueio, introduzindo uma agulha Quincke 22G à esquerda da coluna, paramediana ao espaço entre L1-L2, aproximadamente, 3 cm da linha média. A agulha foi direcionada em ângulo de 45° medioventralmente em direção ao corpo vertebral, tendo como referência palpável a extremidade caudal da última costela. A agulha foi então avançada ventralmente em região retroperitoneal, sob orientação fluoroscópica, até posicionar-se entre a artéria mesentérica cranial e a celíaca. Foram injetados 0,2 mL/kg de azul de metileno 0,1% para marcação do trajeto, seguido de laparotomia para confirmação anatômica da dispersão do corante.
Resultados: A fluoroscopia permitiu a identificação dos corpos vertebrais de L1–L2 e das artérias celíaca e mesentérica cranial, utilizados como marcos anatômicos. O plexo celíaco foi localizado nas proximidades às referidas artérias e corretamente tingido em ambos os cadáveres.
Conclusões: A técnica mostrou-se viável em cães e de execução aparentemente simples com o uso da fluoroscopia. No entanto, o domínio da anatomia regional é essencial, considerando o risco de lesões em estruturas adjacentes, como aorta, artérias celíaca e mesentérica cranial e glândula adrenal. Os dados obtidos apoiarão futuras etapas do estudo, visando à incorporação do bloqueio na prática veterinária.
Protocolo CEUA: Estudo cadavérico.
Fonte de Fomento: Universidade Metropolitana de Santos – UNIMES.