USO TÓPICO DE BROMETO DE ROCURÔNIO COMO AGENTE MIDRIÁTICO EM CODORNAS (Cortunix coturnix)
TOPICAL USE OF ROCURONIUM BROMIDE AS A MYDRIATIC AGENT IN QUAILS (Coturnix coturnix)
Resumo
Objetivos: Este estudo teve como objetivos: (1) avaliar a eficácia do brometo de rocurônio tópico como agente midriático em codornas (Coturnix coturnix); e (2) investigar possíveis efeitos adversos locais e sistêmicos da medicação.
Materiais e Métodos: Foram utilizadas 29 codornas clinicamente saudáveis. O olho direito recebeu instilações tópicas de brometo de rocurônio (0,2 mg/gota) a cada 10 minutos até a obtenção de midríase. As pupilas foram fotografadas com uma régua milimetrada para calibração antes (T0) e após a midríase (T1), através da câmera de um aparelho telefônico com iluminação padronizada (320 lux). Utilizou-se o software ImageJ® para avaliar a midríase alcançada. Foram avaliados os seguintes efeitos sistêmicos: alterações no comportamento, nível de atividade, padrão respiratório e presença de sinais clínicos de toxidez. Também foram analisados pressão intraocular (tonometria de rebote), produção lacrimal (teste de Schirmer) e integridade corneal (teste da fluoresceína). Os dados estatísticos foram analisados através dos testes T de Student, ANOVA e correlação de Pearson.
Resultados: O método demonstrou diferenças significativas nos tamanhos das midríases obtidas e sem efeitos no olho contralateral. A midríase foi alcançada em média após 4 instilações (0,79 ± 0,46 mg), com tempo médio de latência de 46 ± 27 minutos e duração efetiva de 24 ± 10 minutos. Não foram observadas alterações significativas na pressão intraocular (6,4 ± 1,1 mmHg em T0 vs 6,4 ± 1,5 mmHg em T1) ou na produção lacrimal. Os efeitos adversos incluíram quemose (31% dos animais) e acinesia da pálpebra superior (65%), todos transitórios e sem repercussões negativas. Não houve casos de úlcera corneal ou efeitos sistêmicos.
Conclusões: O brometo de rocurônio mostrou-se um agente midriático seguro e eficaz para uso em codornas. Os resultados sugerem que esta abordagem pode ser incorporada à rotina clínica e experimental em oftalmologia veterinária em aves.
Protocolo CEUA: no 23082.015579/2022-46.
Fonte de Fomento: CNPq - bolsa de doutorado, processo no 141337/2018-4.